O que é a Doutrina Monroe, citada em novo video dos EUA?

Peça publicada pelo Departamento de Estado afirma que domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Um novo vídeo publicado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental "nunca mais será questionado". A publicação, feita nesta terça-feira (11) na rede social X, retoma o contexto histórico em que os EUA adotaram a Doutrina Monroe, uma das referências mais duradouras da politica externa americana. O que é a Doutrina Monroe? A Doutrina Monroe foi anunciada pelo presidente americano James Monroe em 1823 e posteriormente ficou associada à fórmula "América para os americanos" Elaborada em um momento em que diversos países latino-americanos haviam conquistado recentemente sua independência, a doutrina se baseava sobretudo na oposição a novas tentativas de colonização ou intervenção europeia nas Américas. Em contrapartida, os Estados Unidos afirmavam que não pretendiam interferir nas guerras e nos assuntos internos das potências europeias. "Os continentes americanos |...] não devem, doravante, ser considerados passiveis de colonização por quaisquer potências europeias" , afirmou James Monroe em sua mensagem anual ao Congresso em 1823. Naquele momento, os Estados Unidos ainda não possuíam o poder militar e econômico que teriam posteriormente para impor sua vontade sobre todo o continente. A Doutrina Monroe funcionava principalmente como uma advertência às potências europeias contra novas intervenções nas Américas. Com o crescimento do poder americano ao longo do século 19, porém, ela passou progressivamente a ser interpretada também como uma reivindicação de primazia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. "Em particular, os americanos temiam que a Espanha e a França pudessem restabelecer o domínio colonial sobre os povos latino-americanos que haviam acabado de derrubar o domínio europeu. Também eram preocupantes os sinais de que a Rússia estava expandindo sua presença do Alasca em direção ao Território de Oregon" ", afirma o Gabinete do Historiador, órgão oficial do Departamento de Estado dos EUA. Na época, a Doutrina Monroe teve impacto limitado sobre as grandes potências europeias, mas posteriormente se tornou uma referência importante da política externa americana. No início do século 20, por exemplo, o presidente Theodore Roosevelt formulou o chamado "Corolário Roosevelt". Apresentado em 1904 como uma extensão da doutrina original, o corolário sustentava que os Estados Unidos. poderiam intervir em países latino-americanos em determinadas circunstâncias, reivindicando para Washington um papel de poder de polícia no Hemisfério Ocidental. A Doutrina Monroe voltou a ser mobilizada durante a Guerra Fria, quando os Estados Unidos passaram a interpretar a presença soviética e a expansão do comunismo nas Américas como ameaças à sua segurança e à sua posição no hemisfério. A Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa lógica. Na ocasião, o presidente John F. Kennedy advertiu que qualquer missil nuclear lançado de Cuba contra um pais do Hemisfério Ocidental seria considerado um ataque da União Soviética aos Estados Unidos e exigiria uma resposta americana contra Moscou. O que é a Doutrina "Donroe"? Mais recentemente, a Doutrina Monroe voltou ao centro da política externa americana durante o segundo governo de Donald Trump. Em dezembro de 2025, a Casa Branca anunciou formalmente um "Corolário Trump" à Doutrina Monroe, defendendo a reafirmação da liderança dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental e a contenção da influência de potências externas na região. A nova Estratégia de Segurança Nacional também estabeleceu o hemisfério como uma prioridade e previu, entre outras medidas, um reajuste da presença militar americana para responder às ameaças identificadas pelo governo na região. Pouco depois, o próprio Trump passou a usar uma adaptação de seu primeiro nome para se referir à nova estratégia. "A Doutrina Monroe é algo muito importante, mas nós a superamos em muito. Agora a chamam de Doutrina Donroe"', afirmou em janeiro de 2026, após a operação americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro. O termo "Donroe Doctrine" passou então a circular entre analistas e veículos de imprensa para descrever a releitura mais assertiva da política hemisférica pelo governo Trump. Ela combina a tentativa de reafirmar a primazia americana no Hemisfério Ocidental com temas como o combate aos carteis de drogas, o controle de rotas estratégicas, a pressão sobre governos da região e, sobretudo, a preocupação com a crescente presença de potências externas, particularmente a China. Essa lógica apareceu nas pressões americanas sobre o Canal do Panamá e a presença chinesa em sua infraestrutura, nas ações contra Venezuela e Cuba e na prioridade concedida à América Latina e ao Caribe pela nova Estratégia de Segurança Nacional. Fonte: Instagram | cnnbrasil

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8/11/20261 min read

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